terça-feira, 16 de dezembro de 2014

BODE EXPIATÓRIO: INCLUSÃO SOCIAL PELA MÚSICA

RECÉM-CHEGADO AO BAIRRO, TINHA A NATURAL EXCLUSÃO SOCIAL INICIAL AMPLIADA POR CONTA DE MINHA CONDIÇÃO DE SÁTIRO FILHO ÚNICO DE UM CASAL DE SÁTIROS GAYS. POIS É! ALVO MELHOR PARA BULLYING NÃO PODERIA HAVER. E EU TERIA SIDO REDUZIDO À PÓ SE NÃO TIVESSE UMA AUTO ESTIMA ELEVADÍSSIMA E NÃO ADORASSE SER UM FAUNO. ADORAVA MEUS CHIFRES ENORMES E RETORCIDOS -NÃO POR ACASO, MEU PRIMEIRO APELIDO FOI 'CARNEIRÃO'. ADORAVA MINHAS PATAS DE BODE, MEUS CASCOS, MEU RABICHO E, CLARO, MEU CARALHO AVANTAJADO, QUE OS PELOS DISFARÇAVAM MAS NÃO ESCONDIAM. E QUE EU ENFATIZAVA COM COÇADAS BEM REGULARES, QUASE UMA MARCA REGISTRADA...
ANSIAVA, MAIS QUE TUDO, PELO CRESCIMENTO DA MINHA BARBA. MAL PODIA ESPERAR PARA CULTIVAR UM CAVANHAQUE COMO OS DOS MEUS PAIS. SENTIA APENAS NÃO TER AS ORELHAS PONTUDAS COMO AS DO PAIZÉ, COMO CHAMO MEU PAI JOSÉ. AO OUTRO, CHAMADO SEBASTIÃO, CHAMO DE PAIZÃO...
FOI A MÚSICA, PORÉM, QUE DERRUBOU TODAS ESSAS DIFERENÇAS. COMEÇOU COM A APROXIMAÇÃO DO MEU VIZINHO QUE TOCAVA VIOLÃO - A SONORIDADE DE MINHA FLAUTA O CONQUISTOU. LOGO UM GRUPO FOI SE FORMANDO PARA NOS OUVIR E O PONTO DE ENCONTRO ERA NOSSA CASA. PAIZÃO, EXTROVERTIDO COMO POUCOS, ACABOU POR PROMOVER UM CHURRASCO PARA UMA APRESENTAÇÃO DO GRUPO. OS PAIS E OS VIZINHOS VIERAM E ROLOU UMA INTERAÇÃO BEM AZEITADA.
- SÓ NÃO TEMOS CARNE DE CARNEIRO NEM RABADA DE BODE... BÉÉÉÉ...- BRINCAVA PAIZÃO AO RECEPCIONAR OS CONVIDADOS, USANDO UMA REGATA JUSTA QUE LHE REALÇAVA O TORSO MUSCULOSO DE COSTAS LARGAS E BÍCEPS IMENSOS. UMA ADORÁVEL MASSA TRIANGULAR DE MÚSCULOS APOIADA EM DUAS PATAS QUE DE FRAGÉIS SÓ TINHAM A APARÊNCIA...

2 comentários:

  1. É isso aí, parceiro. A verdadeira linguagem universal se dá por acordes musicais e os faunos são exímios flautistas...

    abração do João

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